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Penny Dreadfuls, 1911 · page 13 of 15

As Ruinas de Pompeya (The Ruins of Pompeii) — page 13: what you’re looking at

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As Ruinas de Pompeya (The Ruins of Pompeii) — page 13: Penny Dreadfuls, 1911

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Ls 22 As ruinas de Pompeia. —E’ assim entio que cumpres o teu juramento ? Queres ent%o que o diabo nos abandone e nos entre- gue todos aos Carabineiros ? Traz para aqui a rapa- riga, ordeno eu, ou entdo, a minha praga cae sobre ti, cobarde! | O chefe dos bandidos bateu com o punho no peito dizendo : —N4o sou um cobarde, mae, mas o assassinio de Ada é inutil. —Qnuem te diz isso, parvo? Eu quero! Fiz-te o que és! Escolhi a tua carreira! Instrui te em todas as ar- tes pelas quaes se ganha o dominio sobre todas as pessoas. Fui eu que te fiz chefe d’essa gente corajosa, uma palavra minha basta, e am outro vae para o teu lugar. Um riso escarnecedor foi a resposta. —Veremos isso, mie! A mio do Romano agarrou ameagadora a espada, —(Quem entre vés se atreve a desobedecer ao vosso chefe ? Um silencio de morte se fez. A filha da bruxa poz-se entio deante dus homens. —Anda ca, Beppo, e diz a teu dono que elle é um cobarde. Os seus olhos fixaram-se ardentemente n'um joven que ha pouco se tinha juntado aos bandidos. Rapidamente adeagtou-se 0 rapaz, mas quando viu o olhar do chefe sobre elle, calou-se. A filha da bruxa deu uma gargaihada. Ndo me pediste o meu amor Beppo? N&o me achas entdo hoje bonita e desejosa? A minha cara murchou enatio desde hontem, quando tu de joelhos me pedias beijos? Terds esse beijo, Serei a tua aman- te se tu obrigares o chefe a matar a nossa prisioneira. A mie o quer, e eu tambem! —Sei, disse, que gostas d’ella! E’ justamente por isso que ella tem de morrer! Catilina deu um grito, que parecia o bramir de um avimal, Beppo estava ainda calado. A filha da bruxa soltou entio o seu vestuario phantastico que lhe envolvia o corpo. Emquanto os homens formavam um cireulo em volta d’ella, apenas coberta de veus brancos, dancou ella a mesma danga que Salomé, deante do rei Herodes. Os bandidos approximavam- se sempre mais. Todos os olhos estavam tixos nas li- nhas maravilhosas d’esse corpo que se movia numa danga selvagem. Os veus brancos da mulher pareciam serpentes brancas que voavam pelo ar. Ella ria-se e deitava um olhar ardente a cada um dos bandidos. | —Vejam como eu sei dangar. Nao é Beppo um estupido? No merece o mais corajoso uma amante como eu? Vejam como eu dango. Exijo a cabega de Ada, a prisioneira. A minha danga nfo merece a ea- bega d’uma virgem? Digam la ! E quando ella parou com as faces em fogo, ouviu- se o grito unanime dos bandidos : —A cabega da virgem! Victoria exige a cabega d’ama virgem. Arrastem a prisioneira aqui para lhe cortar a cabeca. Va! O poderoso Catilina, o chefe, estava perdido, nin- guem fazia j& caso das suas ordens. Agora que Cati- ee . lina via o seu poder acabado, decidiu elle sacrificar Ada, pela qual tinha uma grande paixao, para assim conservar- o poder. Puxou pela espada e bateu com ella na cabega d’um dos bandidos que; estava ao pé d’elle que caiu cheio de sangue, —Fujam, cies! tragam para aqui Ada! Eu mesmo quero tirar-lhe a cabega. Meia duzia dos embriagados desappareceram por um corredor que Holmes ainda n4o tinha visto. Logo. depois trouxeram pelos cabellos uma forma humana, uma mulher, que elles puzeram deante da estatua do diabo. Com um movimento selvagem agarron Victoria uma salva de prata e estendeu-a a Catilina. —Da4 me a cabega, gritou ella. —O coragio sera offerecidc ao diabo! gritou a bruxa. Catilina approximou se da prisioneira com a es- ada cheia de sangue. Ella estava ajoelhada deante d’elle. Elle agarrou com a mao esguerda o seu lindo cabello e levantou-lhe bruscamente o rosto pallido. Sherlock Holmes viu entio dois grandes olhos nos quaes se lia o terror, O momento de proceder tinha chegado, Holmes nio podia hesitar nem um segundo, se queria salvar a infeliz de uma morte horrivel. Com um revolver em cada mio adeantou-se 0 po- licia. Tiro apdés tiro saia do seu revolver, mas os ban- didos defendiam-se. Houve uma grande barafunda. . As mulheres gritando tinham fugido todas. Cati- lina largou a cabega da desgragada e voltou-se admi- rado para o supposto bandido que se deitou de repente sobre elle. | A bruxa que do alto dos degraus onde estava ti- nha observado todo o acontecimento, approximou-se de Holmes e observou-o attentamente durante uns momentos. —E” Sherlock Holmes, gritou ella. Aterrados, os vandidos recuaram. Tres, quatro bandidos que estavam mais perto, precipitaram-se sobre elle. As pistolas Browning do policia puzeram-se em acgao. N&o deu tempo aos bandidos para o atacar. Meia hora depois rolavam pelo ch&o os bandidos banhados em sangue, Como um tigre deitou-se Catilino a Sherlock Hol- mes que se tinha posto deante da prisioneira para a proteger. De repente apanhou Holmes uma pancada que o fez cair. Mas ao mesmo tempo tambem cairam os seus adversarios. Um bramido se fez ouvir como se o diluvio tivesse caido sobre Pompeia o que augmen- tou os gritos dos combatentes. O chio oscillava como um navio batido pelas ondas furiosas, Pedras saltavam das paredes e caiam sobre os criminosos. No mesmo momento precipitou-se um bandido no pateo gritando: —Napoles esté em chammas! Houve uma erupgao do Vesuvio. A lava vem directamente aqui numa larga corrente ! — ee get As ruinas E como que para confirmar essa noticia ouviu se um forte trovaéo. Cheios de terror precipitaram:se os bandidos a bruxa e Victoria para a saida secreta donde os malvados tinham trazido a prisioneira. © O bandido que tinha trazido a noticia terrivel era Harry Taxon, que queria salvar o seu mestre, pondo em fuga os criminosos com essa/sua noticia, Sherlock Holmes agarrou Ada e fugiu com ella ~ por onde tinha entrado para o pateo. Ali deitou se a elle um homem gritando: - —Malvado! Jd que tudo se acabou, entao morre commigo! O Romano levantou a espada. Holmes tinha deixado cair docemente Ada para o chio. Harry agarrou a joven, que tinha perdido os sentidos e correu com ella pela escada acima. Holmes agarrou no ar o brago do seu inimigo e desarmou-o. No mesmo instante apontou sobre elle o revolver que ainda tinha na mao. Elle vendo a morte tao perto encheu se de medo e fugiu pelo mewmo caminho, onde Harry tinha desapparecido. Sherlock Holmes correu atraz do fugitivo. A lava ardente, vomitada pelo Vesuvio tinha enter- rado uma parte de Pompeia pela segunda vez e ti- nha-se introduzido por uma abertura, que formava a segunda entrada secreta para o pateo subterraneo. Os bandidos tinham corrido ao encontro da sua perdigio. Sherlock Holmes viu os desapparecer num mar de fogo. Os gritos por detraz d’elle eram cada vez mais fracos. Quando chegou ao alto da escada estava tudo en- volvido n’um silencio de morte. Catilina, o rei dos criminosos tinha chegado ao ar livre por um saida secreta; Sherlock Holmes seguia-o de perto. Como um animal espantado corria o bandido. De repente estenderam se meia duzia de bragos para o agarrar, A sua resistencia desesperada era inutil, n&o lhe servia de nada; n’um instante foi deitado ao chao e ligado. ; Stellati, o capitio dos carabineiros, tinha-se pos- tado com a sua gente deante da saida. Pallido, com o fato esfarrapado, cheio de sangue, appareceu Holmes no meio dos policias. Ndo se Via quasi nada; a atmosphera estava cheia de cinza, os raios brilhavam, os trovdes estalavam, o chao tremia. No momento em que os carabineiros levavam o terrivel criminoso, estendia o capitao as duas mdos a Sherlock Holmes, dizendo: —Senhor Holmes! Ksta 6 a maior acg4o heroica que Napoles tem visto. E’ possivel que combatesse sdsinho contra esse horrivel bando e que ficasse ven- cedor? Sherlock Holmes, limpando o sangue da cara, dis- se simplesmente: —O capitio bem o vé. —Enti&o esté debaixo da protecgao da Madona. Para mim nfo foi t§o protectora, senhor Sherlock Holmes. O afamado policia sorriu-se. —Parece-me capitao, que Deus e a Madona estado EOMnie de Pompeia 23 sempre ao lado da justiga. N&io querem saber de sn- persticio e disparates. Na mesma noite, que em Napoles resoavam os gri- tos dos infelizes, que julgavam o seu fim proximo, em que Vesuvio vomitava fogo e cinza, e que o povo fu- gia a cavallo e em carrogas, navegava um barco para a ilha Capri, No tumulo ainda fresco, da condessa Ventura, es- tava ajoelhado um homem envelhecido antes de tem. po.-Decerto tomava uma forma branca que Sherlock Holmes trazia nos bragos, por um espectro, porque olhava para os dois sem se mexer, No mesmo instante, envolveram-no dois bracos brancos, dois labios quentes impremiram-se nos seus, e uma voz suave murmurou: —Pae! CAPITULO VI Palavea final E” devido 4 supersticio que principalmente na Ita- lia, o criminoso péde ainda hoje exercer o sen horri- vel officio. Sherlock Holmes escreven ao inspector da policia de Napoles a carta seguinte: «Exijo que a memoria do tenente Zampieri seja rehabilitada como merece, deante da armada e dos seus amigo. «Desde o primeiro dia estava persuadido de que um infeliz acaso fizera cair a filha do conde Ventura nos bragos dos criminoso. «No acreditava que um raptor entrasse no castel- lo. A condessa Ada saiu de sua livre vontade. Tal- vez se lembre do resultado da investigagao. Ao fim da galeria havia uma porta que ha muitos annos nao era aberta. Se os seus policias tivessem examinadu bem a fechadura teriam visto que ndo havia nodoa alguma de ferrugem. «Tambem nfo lhe podia ter escapado um pequeno vestigio de cera na fechadura. Pude constatar que foi posta pela parte de dentro, quer dizer do ‘lado da ga- leria, com uma chave 6 que a porta foi aberta. Os vestigios da cera provam que foi feita uma copia da fechadura. «As minhas investigagdes em casa dos serralhei- ros de Napoles confirmaram as minhas supposicées. Soube que uma joven mandara fazer a um serralhei- ro uma chave, entregando-lhe um modelo de cera. A condessa Ada tinha preparado muitos dias antes a fuga. «Tambem o facto de se ter provido d’um vestido da manhi prova que a sua fuga era premeditada, Quando ella andava 4s escuras, na galeria feriu-se n’um dedo, e n’essa occasifo movendo a mao ferida d’um lado para o outro, gottas de sangue se espalharam. Talvez se lembre que encentrei tres gottas de sangue na ga. leria. 6)(6)) <S coim