Penny Dreadfuls, 1911 · page 12 of 15
As Ruinas de Pompeya (The Ruins of Pompeii) — page 12: what you’re looking at
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20 As ruinas de Pompeia dos annos cresceu sempre até finalmente chegar aos fios telegraphicos. Plantas niio sio mass conductoras da electricidade. Pela ligacio com os fios' telegraphi- cos. a casa ficou carregada de electricidade. Logo que alguem toca n’um boccado de ferro qualquer, apanha um choque electrico mais forte ou mais fraco, confor- me o contacto da pessoa com o bocado de ferro. O filho da bruxa, que ndo é outro senado o mysterioso Romano, o maior bandido que ha em Napoles, deu por um acaso qualquer com esse phenomeno, Com a astucia que possue foi-lhe facil aproveitar esse facto para sua mde e para os seus planos criminosos. Quem sabe quantos viajantes entraram n’esta casa e morre- ram d’essa maneira. Se a justiga, na occasi#o em que interrogou a bruxa, tivesse chamado um engenheiro, esse podia ter dado com a chave do enigma, e essa mulher infame ha muito estaria na impossibilidade de fazer mal 4 humanidade. = aMas vamos depressa. As palavras da velha dao- me a entender que ha qualquer plano projectado que deve ser o ultimo e o mais cruel. «A minha entrevista com a velha confirmou 0 que eu desconfiei no momento em que a condessa Ventura foi assassinada: uma vinganga de amor, como nao se vé muito frequentemente egual. Agora, trata-se de sa- ber se poderemos restituir ao desgragado conde, que pagou tio caro um peccado da sna juventude, a sua filha, ou se teremos de o deixar precipitar se no abys- mo do desespero. Seja como fér, as horas do myste- rioso Romano estado contadas, tao certo como eu cha- mar-me Sherlock Holmes. Uma hora depois sairam os dois policias outra vez do hotel embrulhados em grandes capas negras que sé deixavam vér as caras Assim vestidos foram n’um automovel até Bosco Trecase. Ali deixaram o automovel e desappareceram na floresta, Debaixo d’um arbusto esconderam entio as capas e appareceram como uns verdadeiros bandidos. A cara de Sherlock Holmes estava coberta d’uma tinta castanho escuro. Nocinto tinha a pistola e a faca, e o mestre assim como Harry traziam o fato de cam- ponezes ordinarios italianes. Assim se puzeram nas proximidades da casa da bruxa, espreitando, CAPITULO V A missa infernal A noite caia lentamente e envolvia a cidade no sel manto negro, um vento quente vinha do lado do Vesuvio que deitava ha dias fogo e fumo. A’ erupgao fazia-se sempre mais linda, mais grandiosa, com 0 au- gmento da escuridio. Como uma espada de fogo er- guia se ameacadora a chamma saindo da bécca do Vesuvio, um ceu de purpura estendia se sobre a cida- de reflectindo-se no mar. Tudo estava silencioso, as horas passavam lentamente, os dois policias sem fa- zerem movimento algum observavam os arredores. ——Nio serd posstvel, sr. Holmes, perguntou Har- ry devagarinho, que se engane? Lembra-se quantos factos differentes se misturam. Esqueceu-se do tenente Zampieri, que sem duvida alguma estava envolvido no rapto, que papel faria o barfo Arnabaldi que foi encontrado assassinado? «E o tal artista, que foi, elle mesmo, victima dos bandidos de Pompeia, o que quer dizer isso? E tem a certeza de que a filha do conde Ventura se encon- tra em poder do Romano de Pompeia? As perguntas que tu me estds fazendo ja as res- pondi todas a mim mesmo. Nido ha outra probabilida- de de encontrar vestigios do Romano, senao nos en- sinar o caminho a propria bruxa. Ou elle vem a casa della ou ella vai visital o. As palavras d’essa malva- da, indicam que o ultimo acto d’esta tragedia, ao qual nés assistimos esté para se dar. Mas silencio, estou ouvindo passos. Era noite completa. A noita pallida estendia a sua luz sobre a paizagem, mas essa luz desapparecia de- baizo d’um clarfio vermelho que saia da bécca do Ve- suvio e que illuminava Napoles inteiramente, De repente abriu se a porta do jardim da myste- riosa casa. Uma mulher embrulhada n’uma capa na- politana saiu d’ali com mil precaugdes, espreitando por todos os lados. Depois fechou 4 chave a porta e tomou o caminho que levava a Pompeia. De vez em quando ficava parada olhando para todos os lados. Mas era impossivel ver as duas sombras que a se- guiam silenciosamente e com infinida cautella. Quando chegou 4s ruinas de Pompeia ficou parada alguns momentos, hesitante. Estava justamente deante da Basilica, depois atravessou uma rua estreita dei- xando 4 direita as ruinas do Forum e approximando- se da torre sagrada de Apollo, cujas ruinas antiquis- simas sio as mais bellas de Pompeia. A lua tinha-se entretanto completamente escondido por detraz d’umas nuvens negras, um silencio mysterioso pesava sobre a natureza, nenhum passaro cantava, um calor abrasa- dor tirava ao homem a respiragao. Devagarinho, arrastando se, seguiram-na Sherlock Holmes e Harry. No sitio onde a velha tinha desap- parecido descobriu Holmes uma entrada secreta, aber- ta n’uma columna fendida e escondida por silvados e edras. A abertura era de tamanho tal que uma pessoa so difficilmente podia entrar, Por isso nunca ninguem se lembrara de entrar ali. Com o revolver przparado na mio, entrou Sherlock Holmes por esse buraco. Harry seguiu-o. Depois d’uns quatro metros alar- ou se a estreita passagem e formou nm vasto salao. Sherlock Holmes viu de repente uma escada de marmore deante d’elle, que conduzia para baixo, para o interior da terra. Uma escuridao profunda reinava alli. A escada estava frouxamente illuminada por um archote. Sherlock Holmes levantou se e gueria descer as escadas. De repente surgiu deante d’elle uma sombra. Viu entio a cara d’um homem selvagem que de punhal em punho lhe disse com voz ameagadora: Santo e se- nha, Como podia Sherlock Holmes conhecer a palavra | As ruinas de passe dos bandidos? A sua vida estava per.um fio. Harry tinha chegado tambem ali. Sem reffectir deu o policia uma forte pancada no peito do bandido com o punho esquerdo, e com a mé§o direita uma grande pancada com o revolver na cabega, O bandido apezar d’isso teve tempo de atirar o punhal ao peito do policia, Harry deu um grito de augustia, Mas Hol- mes jd se tinha deitado sobre o bandido dando lhe um novo golpe que o deixou sem seatidos. Rapida- mente poz-lhe Holmes as algemas e empurrou 0 para um canto eseuro. Depois levantou se. —Hsqueceste-te de que a minha saia de malha nao dvixa passar o golpe d’um punha!. Tu tomas agora o lugar d’essa sentinella. Perguntas a todos pela senha e deixa-os depois passar. Depois de os bandidos terem entrado todos safa-te e corre 4 estagdo que esta defron- te do hotel Diomede. toma o comboio para Napoles e vae prevenir os Carabineiros, pedindo-lhes para virem immediamente e cercarem o templo, que venham logo em meu soccorro ao ouvirem o tiro do meu revolver. Vae depressa, para chegarem a tempo. —E se nés chegamos tarde de mais, senhor Hol- mes? Lembre-se que est’ no meio de bandidos que nao recuam deaute de nada. Parece me que se esta preparando uma coisa horrivel la em baixo, Ksta per- dido, se elles 0 reconhecem. Sherlock Holmes sorriu se tristemente. —E’ por ventura a primeira vez que eu encaro a morte, Harry? Aqui nfo se pode recuar. O» Romano de Pompeia deixa de existir esta noite, ou entdo, pa- garei a minha derrota com a minha vida. Antes que Harry tivesse tempo de responder tinha Holmes desapparecido na escuridao, De repente ouviu Holmes uma grande confus&o de vozes, parou escutando. Uma grande claridade appa- receu deante d’elle e viu-se no meio d’um grande pa- teo. O Vesuvio deitou mais uma vez a sua luz muito viva sobre esse recinto. O cho estava coberto de marmore. Deante delle erguiase um altar doiro. Doze mulheres das classes mais baixas da populagdo italiana cercavam o altar cobertas apenas com uns veus transparentes, tendo nas mios velas accesas. No meio do altar estava collocado um bode empalhado. Por detraz d’elle estava pendurado na parede um quadro no qual estava escripto: «Sou, o diabo padroeiro dos criminosos». Os bandidos eram numerosos. Sherlock Holmes observou que elle era um dos ultimos a entrar. Nin- guem lhe ligou importancia. A possibilidade de que ali podesse entrar um extranho pare“ia excluida para os bandidos. Tinham formado um grande circulo em volta do altar, No meio estavam duas pessoas que 0 policia conhecia muito bem. Um sorriso de colera lhe passou pelos labios quando as reconheceu. Vestido coro a armadura d’oiro estava o cavalheiro mysterioso eollocado 4 direita do altar. Elle era o chefe reconhe- cido de todos esses bandidos que tinham escolhido como esconderijo Pompeia para saquear Napoles. Um olhar bastou a Holmes para reconhecer n’esse chefe dos Jadrées 0 marquez Caserta, que elle tinha encon- trado no palacio do principe Aliprandi. A’ esquerda do altar estava a condessa Jessica vestida com um de Pompeia 21 vestuario phantastico que apenas lhe cobria o corpo. O seu rosto estava completamente mudado. Seria por causa da sombra vermelha que lhe caia em cheio na cara, ou se mostrava ella aqui na sua verdadeira for- ma?’ Qs olhos luziam como uma chamma, um sorriso diabolico cereava os seus labios. O lindo cabello negro como a noite caia-lhe solto pelos hombros de alabas- tro. Tinha os bragos cruzados no peito e olhava com olhar rigido para o altar onde tinha acabado de appa- recer a bruxa de Napoles Silencio de morte fe z-se na sala. De repente ouviu-se um rugir do lado do Vesu- vio. Os bandidos olharam uns para os outros com cara de terror, Agora fez-se ouvir uma flauta e um tambor. A bruxa subiu os degraus’ do altar do diabo, estendeu como se quizesse abengoar os bandidos, os bragos, e voitou-se para o bode, Ella dizia uma verdadeira mis- sa imitando exactamente os costumes da egreja catho- lica Do livro santo, leu uma ladainha horrosa, Assas- sinio, sangue e pragas horrendas que Holmes poude perceber. Os bandidos repetiam algumas d’essas phra- ses: E assim a seguir. Tudo o que era sagrado, era de- turpado pela bruxa. As pragas seguiam-se umas 4s ou- tras. Elia fallava sempre mais depressa, como alluci- nada. Ella voltou-se e nos seus olhos viu-se o fogo da demencia, Os labios murmuravam j4 machinalmente essas palavras horrorosas que esses homens perdidos Trepetiam tambem machinalmente. Um calor abrasa- dor enchia a sala, Enthusiasmo e loucura reinava en- tre os bandidos que se tinhan estenlido no ch4do. As mulheres offereciam vinhos aos bandilos em _ yasos d’ouro que tinham sido roubados nas egrejas. Depois de cada praga que a bruxa dizia bebiam elles um copo cheio de vinho dando vivas ao diabo. A embriaguez tinha chegado ao delirio, Uma algazarra horrivel en- chia a sala Ent&o a bruxa agarrou um cantaro d’oiro que estava cheio d’am liquido vermelho que offereceu a cada um para beber um trago, O liquido do cantaro era sanzue vermelho e fresco, talvez d'uma victima recente que caisse a uma punhalada dos bandidos. Foi precisa a Holmes toda a energia que possuia para fazer como os outros, beber um trago do cantaro. Um gosto amargo o estrangulava, tinha bebido o sangue d’uma pessoa! De repente a bruxa deu um grito estridente. Immediatamente se fez silencio. Outra vez se ouviu o mesmo ruido que vinha do lado do Vesuvio, e um barnlho subterraneo fez es- tremecer o chio. Os bandidos precipitaram-se por todos os lados. Era o vinho que produzia essa sensagde, ou era o chao qne tremia por baixo dos seus pés? Ninguem- pensou no perigo. Em seguida a velha ajoelhou-se deante da estatua do diabo, e gritou: -—Catilina, faz a tua obrigacdo, e sacrifica ao diabo Ada, a filha de Ventura. —Ja lhe disse, m&e, que no estou de accordo com a morte da prisioneira, respondeu elle. Mas a sua voz nao era firme. SH AlE ECORMIE IOC