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Penny Dreadfuls, 1911 · page 5 of 15

As Ruinas de Pompeya (The Ruins of Pompeii) — page 5: what you’re looking at

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As Ruinas de Pompeya (The Ruins of Pompeii) — page 5: Penny Dreadfuls, 1911

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Machine-transcribed from the original scan — historical spelling and the odd misread are preserved.

\ 6 As ruinas de Pompeia —Porqué? —QOh, elle esteve outra vez toda a noite ausente, Parece me que lhe aconteceu alguma coisa desagrada- vel porque, contrario ao seu costume, fez muito baru- Iho ao vyoltar para casa, e ainda andou algumas ho- Tas para baixo e para cima no seu quarto, —Ah, sim, disse-lhe eu. Ent&o v4 annunciar me ao senhor tenente. A velha bateu 4 porta, mas passou-se algum tem- po antes de obter resposta. —O capit&o dos carabineiros deseja fallar-lhe, se- nhor tenente, disse a velha. Q senhor devia ter visto o effeito d’essas palavras. Onvi distinctamente o salto que o tenente Zampieri deu da sua cama. Ouvio remecher no quarto, deitar ao chao mezas e cadeiras, partir vidros, n’uma pala- vra, nao duvidei que elle tinha tengao de fugir. Or- denei entio 4 minha gente que guardasse a janella e bati com a espada na porta. —Abra, tenente Zampieri, em nome da lei. «Como no obtivesse resposta repeti ainda duas vezes aS mesmas palavras, e deitei-me com toda a forga contra a porta, que se abriu. Como sou um pouco gordo, cai redondamente no meio do quarto. O tenente Zampieri estava vestido e ameacgou me de revolver em punho. «Surprehendido, recuei no primeiro instante com medo; elle aproveitou isso, saltou por cima de mim e fugiu. «Como a minha gente estava de baixo da janella, estava a porta livre. Corremos atraz d’elle, mas em pouco tempo tinhamos perdido os seus vestigios, e fi- nalmente soubemos que elle tinha fugido para Capri. Continuamos a nossa perseguigao, descobrimos o seu esconderijo e perseguimol-o até aqui. O resto ja o sa- be, sr. Holmes. —Isso é na verdade uma historia muito mysteriosa, disse pensativo Holmes, 0 caso comega a embrulhar-se cada vez mais. | / Tinham chegado a um sitio descoberto d’onde se avistava d’um lado o mar, do outro o castello do con- de Ventura. Entre palmeiras e cyprestes, erguiam se paredes brancas do magnifico castello. A’ primeira vista podia vérse toda a frente. Um atalho estreito atravessava o sitio, que formava o ponto mais alto de Capri. —Aqui foi assassinado o bar’o Arnabaldi, decla- rou o official. —QO commissario descreveu-me distinctamente o logar. —A poga de sangue onde esteve deitado o bardo Arnabaldi, esta ainda visivel, exclamou Harry que ti- nha investigado o sitio, -—Faz um grande transtorno para as nossas inves- tigagdes este sitio ser justamente o logar onde se en- contram mais pedras, retorquiu o capitéo Stellati. Nao se pode descobrir 0 mais pequeno vestigio. Sherlock Holmes no respondeu a esta observagio. Baixou-se, verifiou as pedras, levantou-se, rondou o sitio do crime, andou uns dez passos em direcgdo do castello, voltou outra vez, andoa em ziguezagues, sal- tou para traz, e voltou finalmente para o sitio onde estava 0 capitéo e os seus companheiros que o olha- vam ora com ar de troga ora com admirag&o. — Mas que movimentos extraordinarios foram esses? perguntou Stellati. «Nao tera sorte, sr. Holmes; lembro-me agora d’um caso identico que se deu ha cinco annos. D’essa vez foi raptada a filha d’um grande proprietario, e apesar da policia fazer todas as diligencias para sal- val-a, foi encontrada dias depois enforcada em Her- culanum, —A condessa Ventura esteve aqui parada durante uns instantes, e correu depois para o castello,, disse Sherlock Holmes, olhando por cima do capit&o como se elle n&o existisse. O official abriu os olhos muito admirado. —O qué? Mas isso é impossivel, sr, Holmes. Crero que o senhor nao sabe fazer bruxariasP Como quer ler nas pedras, que a joven senhora esteve aqui e que voltou outra vez para traz? E se voltou para 0 cas- tello, porque desappareceu ento? Em vista d’isso te- mos de acreditar que o barao Aranabaldi foi victima da joven senhora. —Ella trazia um vestido com cauda comprida, continuou Holmes. . Him seguida correu para um silvado espesso, parou na beira do logar onde os rochedos se inclinavam para 0 abysmo, deitou-se no chao e olhou para o mar. Harry tinha-o seguido e imitava-o. —L4 em baixo esvoaca um veu, sr. Holmes, Realmente viu-se em cima d’um arbusto, que se erguia, no resalto d’um rochedo, um veu branco, ondulando ao sabor do vento. Ent&o o capitéo approximou-se tambem seguido pelos seus subordinados, ==> —Explique-me, sr. Holmes, o que significa tudo isso? O policia levantou-se. —Mande um dos seus soldados ao castello buscar uma corda, Mas é preciso que seja bastante comprida para que eu possa dexcer o declive. A condessa Ven- tura passou quando fugia do bario Arnabaldi por cima da poga de sanzue com a canda do seu vestido, En- contrel em cima das pedras alguns vestigios de san- gue, umas tiraS apenas visiveis produzidas pelo arras- tar do vestido da assassina quando ella fugia do sitio do crime. A meio caminho do castello voltou-se para a esquerda e dirigiu-se para o abysmo. La em baixo vejo mover-se ao vento um boccado do seu véu. O capitéo, sacudindo a cabega, deu ordem para irem buscar uma corda. Cinco minutos depois j4 estava 4 disposigio de Holmes, O policia enrolou a em volta d’uma arvore, e em- quanto os homens |4 em cima a seguravam, Holmes deixou-se descer para o abysmo. Uma vertigem, uma fraqueza momentanea trazer- Ihe-hiam infalivelmente a morte, e entretanto elle des- cia sempre mais para baixo. Por cima da sua cabeca pairava um abutre, por baixo d’elle gritavam as gai- votas. A espuma do mur saltava-lhe 4 cara... Agora tinha attingido um plateau, que se estendia para o mar n’uma altura de um metro. Estava tinto de san- — SSS ere As ruinas de Pompeia Ks gue. Quando Holmes se debrugou por cima do recife e olhou para baixo, avistora um sapato bordado, que se movia como um barquinho ém cima.da agua. Mas foi-lhe impossivel apanhal-o seintse expor ao perigo, porque a corda rogando pelo recife. podia quebrar-se; por isso deu o signal para ser igado. ~ |. - Harry era 0. que estava mais perto do abysmo, por detraz d’elle estava o capitio com os soldados. Sentiu-se um puxdo na corda, signal que deviam igar Holmes para cima. —Com muito cuidado puxaram a corda de vaga- rinho, Holmes approximava:se da plateau. Agora estava poueo mais ou menos a meia altura e pairava por cima do recife. Sobre a sua cabega avistava o rebordo do plateau, por cima d’elle o ceu azul. Por acaso olhou Harry para o lado onde a lingua de terra de Faraglioni se esténde pelo mar dentro, teve um sobresalto, a corda escorregou-lhe quasi das m4os; um suor frio percorreu-lhe 0 corpo inteiro e nio pronunciou uma unica palavra. Isto nio passou des- percebido ao capitdo, e tambem elle seguiu a direegio dos olhos de Harry. O mar formava ali uma grande ba- hia. Do lado esquerdo onde a terra se estendia atra- vez, viamse uns rochedos desertos e sem arvores. N’um dos pontos mais salientes estava um homem cujo rosto nao se podia reconhecer, Trazia o costume na- politano. N’isto deixou.se cair sobre um joelho e encos- tou o outro contra o rochedo e levantou devagar uma espingarda até 4 altura da cara. Inutilmente diligenciaram os homens puxar Hol- mes 0 mais depressa possivel. -——Matem o patife! gritou o capitio para os seus soldados. Na sua excitacfo esqueceu se que elles as- sim teriam deixado a corda, e que Harry e elle sé néo teriam bastante forga para puxar o policia. Ape- zar de tudo um dos soldados largou a corda e pegou no revolver, Mas era impossivel que a bala atingisse 0 napolitano; para isso era preciso uma boa arma que tivesse esse alcance, De mais o atirador tinha desap- parecido, porque adivinhara a intengio do soldado. Harry sentiu o corag&o parar, viu Holmes expos- to 4s balas d’um assassino, sem possibilidade de se mecher, nem receber auxilio. Do outro lado dos ro- chedos levantou-se uma nuvensinha. Harry puxou com toda a forga, de repente caiu assim como os soldados para traz, um boceado da cerda saltou como uma ser- pente por cima d’elles, o atirador tinha cortado a corda com um tiro, Sherlock Holmes tinha caido no abys- mo. CAPITULO II O Romano mysterioso Tinham-se passado uns dias depois do que acaba- mos de contar, quando o capit&o Stellats de Carabi- neiros entrou na villa, para onde o conde Ventura se tinha retirado com sua esposa. A. villa estava situada : (SOLU em Sannazzara que fica a um kilometro de Napoles, foi immediatamente recebido pelo conde Ventura. Esse estava assentado n’um alto fauteuil. A elas- ticidade do seu corpo tinha desapparecido, parecia um velho. O olhar no tinha bfilho, as faces cavadas. A condessa estava sentada 4 janella e olhava tristemente a natureza sorridente. ——O senhor conde mandou-me chamar, perguntou o official, acontecen alguma coisa de novo? --Sim, mas em todo o caso nao sei que significa- gio hei de dar a esse facto. Conforme a participacdo de Holmes temo que a nossa filha jA tenha morrido. Nao foi devido a um milagre sem egual, que elle mes- me escapou 4s maquinagées do tal poder mysterios o que a persegula? —Para dizer a verdade, senhor conde, foi mais a sua agilidade pessoal que o salvou. N30 fomos sé nds que vimos o atirador tambem elle o viu levantar e des- carregar a espingarda, Percebeu que o patife queria cortar a corda com um tiro para o precipitar no abys- mo. No momento em que elle viu levantar a nuvem branca, deu um balango com toda a sua forca contra os rochedos de maneira que foi cair, evitando o recife, directamente no mar, e como é um nadador distincto foi-lhe facil aleangar a terra firma. —Sabe alguma coisa, capitio, das medidas que Holmes entretanto tomou? —Nunea mais ouvi fallar n’elle senhor conde. Elle toma sempre medidas contrarias 4s das auctoridades, Deixe tranquillamente 0 caso ao meu encargo. Se ainda ha alguma salvagio possivel ella ser4 feita por mim. O conde tirou da algibeira um bocéado de papel e entregou-o a0 capitio. N’este papel estavam escriptas com m4o ihcerta as seguintes palavras, Ao senhor conde Luigi Ventura NAPOLES «Eu, o chefe dos Camorra, membro da Mio Ne- gra em Nova York e raptor de sua filha, intimo-o a pagar-me um resgate de um milhao de liras. No caso de me mandar essa quantia pouparei a vida de sua filha e mandal-a-hei immediatamente para sua casa. Mas: se o senhor se nega a pagar-me esse dinheiro mandarei matar sua filha debaixo de horriveis tor- turas. «N&o se atreva a perseguir-me, A sorte da presa depende do que fizer. «Na noite de dezesete serd amarrado um cio preto 4 porta de sua casa. Esse c&o terd em volta do pes- cogo uma correla na qual esté presa uma bolsa de coiro. Dentro d’essa bolsa metta o dinheiro e deixe correr o cdo. Elle encontrardé o caminho e ir4 ter com- migo.» O: Napolitano vermelho.» <S @ JOOKSHGO @ e