ComicBooks.com Register / Loginit's free!

Penny Dreadfuls, 1911 · page 4 of 15

As Ruinas de Pompeya (The Ruins of Pompeii) — page 4: what you’re looking at

📖 Open the full issue in the page-flip reader →
As Ruinas de Pompeya (The Ruins of Pompeii) — page 4: Penny Dreadfuls, 1911

A restored page from Penny Dreadfuls, 1911. Page through the whole issue in the reader above.

📄 Transcribed text from this page (OCR, searchable)

Machine-transcribed from the original scan — historical spelling and the odd misread are preserved.

4 As ruinas de Pompeia ir visitar a casa mortuaria de Capri. Espero que em pouco lhe poderei dar algumas noticias. A _proposito, senhor conde, nfo era o senhor o governador da Si- cilia ha dez annos? —Era eu mesmo, sr. Holmes. Estive ali justa- mente derante uma epoca bastante agitada. —E’ por isso que o seu nome me ficou na me- moria. —Sherlock Holmes despediu-se e desceu com Har- ry, seguido pelo conde Ventura, as largas escadas. O conde acompanbou-os até 4 porta do jardim. A passos largos dirigiram-se os dois outra vez para Capri. —Caso estranho, disse Harry, caminhando ao lado de Holmes, que estava mergulhado em profundas me- ditacSes. —N§o é de opinido, sr. Holmes, que se trata d’um simples caso de extorsdo? —AIsso ver se-ha. Esqueceste 0 assassinio do ve- nezia-no, que de certo tem alguma relagio com o rapto. —Mas é de todo incomprehensiyel a maneira e o caminho por onde se effectuou o rapto da joven, con- tinnou Harry. —Nio vamos agora quebrar a cabeca com isso, respondeu o policia, era principiar mal, querermos apa- nhar os criminosos, comegando as nossas investigagdes no logar onde se effectuou o rapto, Temos, ao con- trario de procutar vestigios que venham de fora Mas vamos depressa, j4 vejo a torre da egreja de Capri. Espero que ainda nio tirassem o cadaver da casa mortuaria, Naturalmente sera levado para Veneza. Mas Sherlock Holmes teve sorte. O cadaver con- servava-se em Caprin’uma capella subterranea que an- tigamente servira aos monjes da egreja, Dois cadaveres estavam estendidos n’essa pequena e humida capella, ornamentada com diversas santas e um pequeno altar. Na cabeceira dos dois mortos es- tavam duas vellas accésas. Sherlock Holmes approximou-se dos dois defun- ctos e levantou o lengol que cobria 0 corpo e acarade de um velho pescador que tinha as feigdes contorcidas. O segundo cadaver era o do veneziano. O fato estava cheio de sangue, o rosto pallido, estava tranquillo, as feicdes demonstravam ainda certa distincgao, Os olhos estavam melo cerrados. Assim, 0 morto inspirava sympathia, o que nao di- zia com as declaragdes que o conde Ventura fizera a seu respeito. Sherlock Holmes verificou o cadaver. Harry Taxon tinha-se sentado a um canto 6 se- guia com o olhar todos os movimentos do seu mestre. Um arripio de horror lhe passou pelo corpo, A ca- pella cheirava a sangue e a podridao. N'uma das espessas paredes havia uma pegnena janella, pela qual se via apenas uma fita de mar azul. A escurid4o da capella era sé interrompida pela luz vavillante das vellas illuminando as caras rigidas dos mortos. —O bardo Arnabaldi foi assassinado por traz, disse Holmes. O golpe foi dado com uma forga extraordi- . naria, perfurando 0 corpe completamente entre a ter- ceira e quarta costellas. ‘ O policia calou-se, e Harry vin com horror uma marca ensanguentada que estava na face direita do morto. Parecia que um poder mysterioso tinha dese- nhado a causa da morte na face do assassinado. Tambem Sherlock Holmes nao tirava os olhos d’essa marca. Pareceu no primeiro momento nao ter encontrado uma explicagao certa, mas de repente viu-se um ralo de comprehens4o nos seus olhos, —Como é estranho, disse elle; a descoberta que acabo de fazer anniquilla todas as supposigdes que ti- nha feito a respeito da joven condessa Ventura. -—Entao o assassinio do barao, sempre tem algu- ma relacio com o rapto? —Parece-me que sim. —NiAo seria possivel, sr. Holmes, que o barao Ar- nabaldi quizesse por acaso impedir o rapto da joven e fosse assassinado pelos criminosos? —QO bar&o Arnaboldi foi assassinado por mio de mulher, respondeu o afamado criminalista com voz tranquila. Harry deu um pulo, —Mas como sabe o senhor isso? Acabou de me di- zer que o golpe foi dado com uma violencia extraor- dinaria. Seria uma mulher capaz do praticar um cri- me d’esses? —Porque nao, retorquiu Sherlock Holmes sorrin- do. A pratica que partilhas ha muitos annos commigo deve provar-te que a paixdo d’uma mulher é muito mais forte e perigosa que a do homem, sobretudo quando se trata de amor. —Quer dizer com isso, mestre, que a mulher que matou o barSo0, 0 amava? O policia fez um gesto affirmativo com a cabega e 0 seu rosto tomon uma expressdo séria, quasi triste. —K’ isso mesmo. Um amor doido, cego, mettendo- lhe a arma na mao, Nao era vinganga nem odio que a fez commetter esse crime. Mesmo depois de morto a assassina ainda o amava. —Olhas para mim,. Harry, como se eu fésse o demonio em pessoa. A explicac&o, querido Harry, é muito simples. Vés esse sangue nos labios do morto? O golpe na regiio do coragio teve por consequencia que uma golfada de sangue lhe saisse pela bocca quando a vida o deixava, A mulher que 0 assassinou deitou-se no ch3o e comprimiu os labios nos delle. E nao se contentou com isso! Antes de deixar 0 ca- daver para sempre beijou-o ainda na face direita, Os seus labios tinham-se tingido do sangue do morto; e assim deixou o seu beijo uma marca ensaguentada na face do joven e mais ainda um molde exacto da sua boécea. oy «OQ bardo Arnabaldi parecia ndo ter mau gosto, Raras vezes tenho visto uma bocca t&o linda. O labio superior era arqueado como 0 arco da Cupido, o labio inferior 6 cheio como uma cereja madura. Apezar das mulheres de Napoies serem bonitas devem entretanto haver poucas cujo rosto seja enfeitado com labios tao formosos. Sherlock Holmes tirou da algibeira uma pequena As ruinas de Pompeia 5 faca com a qual fez uma arranhadura no: brago es- querdo, Passou o seu sangue para cima da marca sec- ca que havia na face do morto e:imprimiu-o em cima da mao esquerda. + ys agate —Isto é um successo que nao sé deve desprezar, disse o policia. «Agora vamos vcr se a policia apagou todos os vestigios no sitio onde se deu o crime, e se encontra- mos ainda mais aleum ponto de apoio. Devagarinho poz Holmes outra vez o lengol em cima do morto, assassinado d'uma forma tao extranha e tio tragica, *” Holmes ia justamente subir a escada que o levava ao ar livre, quando de repente se ouviu um tiro l4 féra. A esse segniu-se um segundo, depois um tercel ro e no mesmo instante saltou um homem as escadas deitou ao chio Harry que nio estava preparado para este assalto, e ficou parado no meio da capella como que aterrado pela escuridao. Rapido como um raio retirou-se Holmes para um canto escuro e ficou ali sem se mexer. Na sua excitacio o fugitivo parecia nao ter dado por ter deitado alguem ao chido, e menos se preoccu- pava de Harry, que seguira 0 exemplo do mestre, De repente ouviram-se vozes na escada, acompa- nhadas do barulho das esporas, O fugitivo voltou a cabega do esquerda para a direita como se buscasse um sitio por onde fugir. De repente pareceu ter tido uma ideia, conforme as apparencias, queria esconder- se debaixo d’um dos lengoes e fingir-se morto para as- sim escapar aos seus perseguidores. Depressa como um raio arrancou o lengol do cadaver do barao, Mas apenas tinha deitado um olhar ao rosto rigido do mor- to deu um grito horrivel e recuou. Como para se de- fender estendeu as duas mos para 0 cadaver e repe- tia o mesmo grito horrivel que parecia vir d’um cora- cao aterrorisado, N'este momento appareceu no ultimo degrau da escada um official trazendo na mao direita a espada e na esquerda o revolver. —Renda-se, tenente Zampieri, n’o tem outro re- medio ! O fugitivo deiton um olhar selvagem ao official, por detraz do qual appareceram tambem uns soldados, Com um movimento rapido tirou um revolver da algibeira para matar o official. Ouviram-se dois tiros; e antes que Holmes se podesse deitar ao fugivo, deu este um grito como se tivesse sido attingido por um tiro. Deu alguns passos, cambaleando, deitou ao chao a mesa, em cima da qual estava o cadaver do barao, saltou n’um pulo para cima da estreita janella e tinha antes gue os homens aterrorisados o podessem impe- dir, desapparecido 14 fora, Ouviu-se um baque d’um corpo; depois ficou tudo silencioso., —Quém é o senhor? gritou o official, dirigindo-se para Holmes. —QO meu nome é Sherlock Holmes, respondeu tranguillamente o policia. O official estendendo-lhe as maos, disse: coilm —Que prazer tenho em encontral’o; mas o que 0 trouxe a este horrivel sitio? —Talvez o mesmo interesse que o senhor perse- gue, respondeu Holmes. Mas parece-me que é tempo de irmos em procura do tenente Zampieri, como, se- gundo creio, se chama a fugitivo. O official approximou se da escada de onde os sol- dados j4 todos tinham fugido. —Ksti bem gnuardado, senhor Holmes. A capella esté construida na montanha no sitio que cae ingreme até ao recife que se estende até ao mar. O official tinha dito a verdade. —QO homem est4 deitado a trinta metros de pro- fundidade sem movimentos em cima do resalto d’um rochedo, capitéo, annunciou justamente um dos solda- dos. —Isso é fatal, respondeu 0 official. Com isso parou outra vez todo este negocio, e eu ja tinha a esperan- ea de poder explicar tudo claramente esta noite ao juiz de investigagao. —Tinha o tenente Zampieri alguma relagio com o rapto da coudessa Ventura? perguntou Sherlock Holmes. ‘ Bee O official mettendo a espada na bainha, disse : ——Isso nio ainda, sr. Holmes, mas tenha a certe- za de que elle é o assassino do barao Arnabaldi. Sherlock assobion ligeiramente entre os dentes. -- Ah! o senhor tem alguma prova d’isso ? —Sim, senbor. E o facto de o patife fugir, pro- va, que todos os argumentos eram verdadeiros. Logo depois de se ter effectuado o crime recebi uma carta anonyma, Metteu a mio na algibeira superior e disse: tenho-a aqui, faga favor de a lér, senhor Holmes, A carta dizia: Ao senhor capitéo dos Carabineiros. Senhor Anselmo Stellati «Se tem algum interesse em desmascarar 0 assas- sino do barfio Arnabaldi, v4 immediatamente a casa do tenente Zampieri do 3.° batalhdo de cagadores, Strada di Tribunali, 6.» Holmes entregou a carta ao official encolhendo os hombros, emquanto se encaminhavam devagarinho para o castello do conde Ventura. ; —Ja sei o que quer dizer, sr. Holmes, interrom- peu o official. Eu mesmo costumo dar pouca impor- tancia a cartas anonymas. O senhor sabe que depois de ter acontecido um crime n4o nos faltam cartas d’estas, denuncias, bons conselhos e algumas vezes cartas de troga e de escarneo. Apezar d’isso achei nao dever por esta de lado sem lhe prestar alguma atten- gio. Ao menos era preciso vér se nfo havia alguma coisa de verdadeiro n’isto, Fui logo depois de ter re- cebido a carta com dois soldados a casa do tenente Zampieri. Elle estava deitado. Tinha deixados os dois soldados no corredor e ordenei 4 governante que acor- dasse o tenente. —Oh, meu Deus! elle precisa tanto de dormir ! disse a velha, ¥ EhooksGco