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Penny Dreadfuls, 1911 · page 11 of 15

As Ruinas de Pompeya (The Ruins of Pompeii) — page 11: what you’re looking at

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As Ruinas de Pompeya (The Ruins of Pompeii) — page 11: Penny Dreadfuls, 1911

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Machine-transcribed from the original scan — historical spelling and the odd misread are preserved.

18 naria, esse morreu. Ella foi interrogada, mas tiveram de a pér em liberdade outra vez, porque é uma bruxa, Toda a gente aqui em Napoles sabe que ella 6 uma - bruxa. E eu tambem o digo. Oh! ent&o o senhor julga, que alguem, que ndo tenha uma allianga secreta com o diabo, pode matar uma pessoa sem lhe tocar? Sherlock Holmes nao respondeu, Estava immovel olhando fixamente para a janella. O criado retirou-se, mas o grande policia nao se mexeu. De repente levantando se d’um pulo disse para Harry: —Dame as cabelleiras e a minha caixa de arre- biques, Harry fez o que lhe ordenava o seu mestre. Holmes desappareceu no quarto contiguo, e pas- sadas bem duas horas voltou outra vez. Quando abriu a porta Harry soltou uma exclama- ¢io de surpreza: —O conde Ventura:! —Parece-me que fui feliz no meu disfarce, disse o grande homem sorrindo. Se nao fosse isso, Harry, entio jA te digo que iamos passar um mau bocado. Espero portanto que ella nfo desconfiard de nada. —Qnhem, mestre? —A bruxa de Napoles. —A velha Giovanna? O mestre quer ir a casa d’ella? —De certo. Oh, terds tu tambem medo das _ bru- xas ? : Harry riu-se e foi buscar a capa e o chapen. Holmes e Harry foram de automovel até Bosco Trecase e ahi, perguntando o caminho a alguns cam- ponezes, foram ter 4 cazinha da bruxa. —Nao quer acceitar a minha companhia? disse um robusto policia camponez a Holmes. Sherlock Holmes disse-lhe que nao, —N&o me parece que ella me faga mal algum, disse elle, dirigindo se com Harry para a casinha, que appareceu de repente deante d elles. Era como o criado tinha dito, sé se via da casa as janellas turvas que decerto, durante os dez annos, nao tinham visto uma gotta d’agua. Sé se via erguer-se a chaminé no meio da vinha selvagem. ‘ Nada denunciava que a civilisagdo tivesse tomado raizes ali. S6é uns fios telegraphicos, que passavam por cima da casinha, mostravam que se achava ali uma habitacio humana nas proximidades. Nada se mexia, nio havia cio que ladrasse, nao se ouvia voz humana; tudo estava como morto. Sher- lock Holmes approximou:se do portéo do jardim e abriu 0; mas inutilmente chamava em voz alta pela velha Giovanna, inutilmente bateu 4 porta, nfo teve resposta. Finalmente, atravessou decidido o jardim, empur- rou a porta e encontrou-se no mesmo instante n’um quarto amplo. No meio do teto estava fixa uma cadeia de ferro pesada na qual estava pendurada uma cal- deira de cobre enorme, por baixo da qual brilhava uma chamma ardente, e na caldeira ouvia-se a agua cantar. Uns gatos pretos, enormes, levantaram-se ao As ruinas de Pompeia’ ; verem entrar os estranhos, mostrando-se de muito mau humor. O quarto estava immundo. . Num dos cantos estava uma coruja a comer um rato que acabara de apanhar. Era quasi escuro, sé 0 clario do Inme illuminava o quarto. De repente apercebeu Holmes uma mulher velha e nojenta, cujo corpo magro estava mettido em farrapes immundos. . * Ja tinha deitado um olhar fugitivo aos recemche- gados quando ceu de repente um grito horrivel. Le- vantou se, indecisa ainda se 0 homem, que estava deante d’ella, era realmente 0 conde Ventura, Os olhos sairam-lhe das orbitas, as m4os, nas quaes se viam unhas compridas e sujas estendiam-se para elle, mas vendo a posigdo inerte do conde retirou-as inamediatamente. Um sorriso malicioso torcia 0 seu rosto horrivel, mas que mesmo nas suas formas actuaes ainda deixa- va conhecer vestigios de antiga belleza. —Mas que vem o senhor conde procurar em casa da bruxa? perguntou ella, o senhor conde nao se en- vergonha de dar a Napoles essa scena de humilhagao? Sherlock Holmes encolheu os hombros, e disse baixinho: —Querii saber a minha sorte, Giovanna. A velha deu uma gargalhada. —-Manda embora esse rapaz que trazes comtigo, conde Ventura. Sherlock Holmes meditou um instante, depois disse decidido: —E? preciso que elle fique aqui. EK’ o meu criado, pode ouvir tudo. Ella agachon-se ontra vez. —Mas eu nado quero! manda-o embora. Ella levantou-se e approximou-se rapidamente de Harry, que fugiu d’ella até 4 grade que estava fixa na parede. —Vae-te embora! gritou a velha furiosa, No mesmo instante apanhou Harry uma pancada que lhe tirou quasi os sentidos. Sherlock Holmes agarrou-o e puxou-o para traz. —Estiveste ainda com sorte, disse o mestre le- vando-o para um banquinho sobre o qual Harry se deixou cair sem forgas, Admirado viu elle ent&o que Sherlock Holmes ti- nha calgadas umas luvas de borracha. Tambem a velha tinha notado isso. Ella deitou um olhar meio timido meio venenoso para Sherlock Hélmes indo sentar se outra vez no seu cantinho. —Queres entdo saber a tua sorte, conde Ventura? perguntou ella com voz aspera. Sherlock Holmes fez um signal affirmativo, tirou a luva de borracha da mio direita e estendeua 4 bruxa. —Lé o que dizem esses signaes. Ella pegou na m4&o com os seus dedos gordos e sujos e€ mirou-a. O seu rosto tinha uma expressio de maldade e de irunia. —A sorte nio te é muito propicia, conde Ventura. «Leio isao na tua m§o. Primeiramente tiveste feli- t ee a ’ cidade e prosperidade em tua casa. Tiveste uma linda mulher, Ella morreu. Tiveste uma filha linda. Ella vae morrer, se ndo morreu jd. Tu mesmo, conde Ven- tura, est4s condemnado a morrer. Hstds a tremer, no é verdade? Oh, 0 perigo esta perto, muito perto, Nao lhe escaparas; elle envolve-te como um peixe no meio d’um réde bem forte. Estas no meio do perigo. Pddes rezar, praguejar, mas tudo é em vao, tens de morrer. Assim esta decidido! O falso conde levantou a cabega e disse: —Por quem? Essa pergunta pareceu perturbar a velha. Ella calou-se um momento, depois disse: -—Pela sorte, O conde Ventura franziu a testa. —E’ teu filho a sorte, Giovanna? Ella escutou. As costas curvaram-se-lhe, retirou- se com passos timidos, fixando 0 policia com os seus olhos irritados pela colera. —RMeu filho! Quem falla de menu filho? —Eu. ; —Viste-o? —Sim. Reconheci 0. porque se parece muito com- migo. Nao esteve elle hontem no baile em casa do principe Aliprandi? Tu sabes tudo, Giovanna, portanto tambem deves saber isso. —Reconheceste-o ent&o por causa da semilhanea comtigo, conde Ventura. E’ verdade, elle parece-se muito comtigo, Hoje j& nfo tento, mas n’outro tempo eras tal qual como elle. Oh, n’esse tempo, miseravel, traidor! lembras-te ainda? lembras-te de ha trinta an- nos? N&o era eu bonita? Diz, confessa se eu era ou nfo bonita, Tu calas-te? Responde-me! era a rapariga mais bonita de Messina, de toda a Sicilia, Nao é isso? —E’ isso mesmo. —Ah! é verdade, confessas? Oh, era tio feliz! Nada me faltava para a minha felicidade. Era ama- vel, bonita, encantadora. Os homens adoravam-me. Tinha um pae. Era um homem bom e honrado até que os tormentos chegaram. Dirds que elle foi um as- sassino, como lhe chamaram todos. Mas tu sabes o que é€ a fome? Tu snbes o que quer dizer que o pido falta em casa? Quando tudo esta perdido? Quando a mizeria bate 4 porta, emquanto tu andavas na pande- ga debaixo da protecio das baionetasP A mizeria esta- va entre nds, quando de repente se fez a revolta, Op- primiste-o com o teu poder. «Meu pae foi preso porque tinha morto a tiro tres carabineiros. Lembras-te ainda como eu te pedi para salvares a vida de meu paeP Promettes-te fa- zel-o. Oh! tu prometteste-me ainda muito mais. Pro- metteste me tudo o que eu podia desejar. Fizeste-me entio tua amante. No dia seguinte enforcaram meu pae. Admira-me como nao te matei n’essa occasido. Mas a vergonha eadér aterraram-me tirando-me toda a forga. Fiquei entao o que era, a tua amante, até ao dia em que me abandonaste com duas creangas, das quaes eras pae. «Lembras te, Luigi? Jurei entéo em nome do ceu e do inferno que me vingaria horrivelmente de ti, Nao me bastava matar-te. Queria arrancar-te do seio da felicidade e precipitar-te no abysmo da dor. As ruinas de Pompeia 19 «Mas nao era eu directamente que te queria per- der, queria que fosse a tua propria carne e o teu pro- prio sangue que se vingassem. — Mas nio tens entéo neahuma piedade de mim? perguntou o falso conde Ventura n’um tom meigo. —Piedade? gritou a velha. Tiveste tu piedade de mim quando me abandonaste com os meus filhos? Oh, os teus filhos tinham talento extraordinario! Na ver- dade gosto d’elles! Mas nio sei o que € maior, se 0 amor que sinto por elles se o dio que sinto por ti! Ninguem serd poupado, nem tu, nem os teus. Sherlock Holmes tirou um revolver da algibeira, —E se eu te matar agora aqui, mizeravel bruxa. —Meu filho me vingard ent&o, Ndo escapards 4 tua sorte. Dizendo isto deu a Holmes um empurr3o que o fez cambalear para traz obrigando-o a buscar com a mao.um apoio, A velha estava espreitando fazendo caretas e mur- murando palavras imperceptiveis.. Quando viu o homem approximar-se tranquilla- mente d’ella, ficou quasi doida de espanto. —Como? seria possivel que eu perdesse 0 meu poder? Holmes sorriu-se e disse em tom severo: —Podias fazer valer o teu poder emquanto um ‘espirito humano bastante sdo nao descobrisse a tua manha. As tuas ameacas nfo se realisardo. A se- mente que tu espalhaste dara fructos ensanguentados. <O crime do conde Ventura foi grande, mas ex- piou-o j4 bastante amargamente. Agora basta de cri- mes! Mizeravel. O ten filho e a tua filha perder-se- hio mesmo com os teus planos de vingangea. A mulher deu uma gargalhada rouca. —Experimenta, experimenta! Maldito sejas! mal- dito para sempre! j Desappareceu dizendo isto, dando uma gargalhada infernal. —Pédes andar, Harry? perguntou o grande po- licia ao seu ajudante que, ainda cansado, estava assen- tado no banco. Elle levantou-se n’um pulo, —Sim, mestre, posso, apesar de me sentir ainda como que parylisado. —Anda, vou ajudar.te. Sherlock Holmes metteu o braco por baixo do bracgo do seu ajudante e saiu com elle da casa mys- teriosa, O andar fez bem a Harry, o ar fresco fortale- ceu-o € pouco a pouco recuperou as forgas. —N4o sei o que foi aquillo, disse elle. Mas senti que estava perdido, se nao me tivesse arrancado a tempo das garras d’um poder horrivel. —Esse horrivel poder é dominado pelos homens e foi posto por essa horrivel mulher e seu filho ibfame em servico do crime. J4 o conto do creado esta ma- nha me levonu a esta ideia e me fez ver claramente do que se tratava. Vou dar-te a chave do enigma. O policia parou e mostrou com a mao direita a casa, que parecia outra vez estar yasia e abandonada. —Vés bem os fios telegraphicos que passam por cima da casa? A vinha selvagem com o andamento (2(0) CONNIE OOO KS (C